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Toxicologia Ambiental
A poluição do ar, assunto cada vez mais debatido na sociedade, ganha caráter de urgência nas agências mundiais de saúde.
Atualmente, os altos níveis de poluição atmosférica e a ausência de avanços para redução das emissões têm sido motivo de preocupação nas agências de saúde. Neste contexto, os aspectos toxicológicos e de saúde, relacionados à poluição do ar, são questões que devem ser levadas em conta. Por isto, a Analitica conversou com o prof. MSc. Carlos Eduardo Matos e Dra. Roberta Andrade que desenvolveram um estudo sobre Toxicologia Ambiental e aspectos técnicos e políticos da poluição do ar, para entender as questões políticas na saúde ambiental, suas limitações e as ações que contemplam a natureza global, além da adesão e dos esforços mundiais no estabelecimento de metas de controle da poluição atmosférica.

Analitica: Como é possível identificar o real impacto da poluição do ar na saúde humana?
Carlos Matos: A poluição atmosférica tem exercido grande impacto na saúde das populações. Dados recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) sugerem pelo menos 7 milhões de mortes prematuras por ano devido a poluição do ar em ambientes abertos e fechados. 
É um desafio identificar a relação entre as exposições e a ocorrência de danos, devido a fatores de confundimento, mas é um fato que vários estudos têm apontado associação da poluição com efeitos não apenas respiratórios agudos, como efeitos cardiovasculares (infarto, acidentes vasculares e outros) e câncer. Para se ter uma idéia, a IARC (International Agency for Research on Cancer), agência da OMS e referência mundial de pesquisa sobre câncer, classificou em 2013 a poluição do ar como Grupo 1 (carcinogênica para humanos), grupo de maior criticidade quanto ao potencial carcinogênico. 

Analitica: Quais são as possíveis formas de emitir poluentes?
Carlos Matos: Existem várias fontes de emissão de poluentes: de origem antropogênica, destacaríamos a emissão de veículos e as atividades industriais (há um grande número de processos industriais com diferentes perfis de emissão importantes, como no caso da combustão). Determinados locais podem ter peculiaridades (maior contribuição de fontes domésticas, naturais e outros). 

Analitica: Como os ambientes estão sujeitos a poluentes?
Carlos Matos: Ambientes abertos e fechados estão sujeitos à poluição. Nos últimos anos, evidências científicas cada vez mais fortes apontam que as exposições nos ambientes fechados podem ser maiores do que no ambiente externo, devido, principalmente, ao fato que há grupos que passam 90% do tempo nestes espaços. Em ambientes fechados deve-se considerar a possibilidade encontrar poluentes comuns do ambiente externo. Exemplo: eventuais fontes de combustão de óleos, gás, carvão, madeira e do tabaco; materiais de construção; mobiliário com amianto; móveis com determinados produtos de madeira prensada; e produtos de limpeza doméstica; além daqueles provenientes de sistemas de aquecimento ou refrigeração contribuem com a poluição do ar de ambientes fechados. Devido à preocupação com estes locais, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou em 2010 um guia de orientação para monitorar a qualidade do ar em ambientes fechados. São apresentados dados toxicológicos e limites de exposição para nove poluentes, incluindo benzendo, tricloroetileno, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, monóxido de carbono e outros.

Analitica: Qual foi o resultado da pesquisa da OMS?
Carlos Matos: A OMS mais que duplicou sua estimativa de impacto à saúde, e sugere-se que 7 milhões de mortes prematuras, a cada ano, podem ser atribuídas à poluição do ar em ambientes urbanos abertos e fechados, sendo que mais da metade deste número corresponde a mortes em países em desenvolvimento. De fato, conforme agência, trata-se do principal risco ambiental individual do mundo! 
Por este motivo, desde a publicação de nosso trabalho, estamos apontando para a necessidade de políticas mais abrangentes (global e continental), com maior atuação da América Latina neste tema. 
Em relatório publicado por uma organização não governamental europeia ("THE UNPAID HEALTH BILL: How coal power plants make us sick), 18.200 mortes prematuras por ano, somente na Europa, estão relacionadas a problemas de saúde causados pela queima de carvão. O que equivale a um gasto de 42,8 bilhões de euros. Considerando a liberação de muitos outros agentes químicos presentes no ar, outros pontos de Saúde Pública devem ser considerados, desde efeitos agudos: irritação ocular e respiratória a efeitos crônicos como: doenças respiratórias crônicas, câncer pulmonar e do septo nasal. Outros efeitos latentes e não tão evidentes poderão ser evidenciados com o avanço dos estudos epidemiológicos e científicos. 

Fontes:
http://www.who.int/mediacentre/news/releases/2014/air-pollution/en/
https://www.iarc.fr/en/media-centre/iarcnews/pdf/pr221_E.pdf

MATOS, Carlos E; ANDRADE, Roberta D. Toxicologia Ambiental: Aspectos toxicológicos e
políticos sobre a poluição do ar. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental
e Sociedade, v. 6, n. 2, p. 75-89, Jun. 2013.

Analitica Latin America

Local

São Paulo Expo
São Paulo, Brasil

Data & Horário

26 a 28, Setembro de 2017
Das 13h00 às 21h00

Analitica Latin America

O principal objetivo da Analitica Latin America é proporcionar um espaço ideal que gere oportunidades de negócios estratégicas aos expositores e visitantes trazendo sempre as novidades e últimas tendências do setor.

A feira se destina a profissionais das indústrias farmacêutica, cosmética, alimentícia, petroquímica, química, analítica, entre outras.

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